quinta-feira, 15 de junho de 2017

CRÍTICO

Acusais-me de ser crítico,
Incisivo, mordaz,
Como não criticar a perfídia,
A ignomínia, a insídia,
A intolerância, o vilão, o incapaz?

Dizeis-me que sou exigente,
Que releve,
Que seja tolerante, complacente.
Como poderei sê-lo
Se viveis com tão pouco zelo.

Tendes o teatro, o cinema, a literatura,
Mas contentai-vos com palavras de mesura,
Tendes a utopia, o sonho,
Mas bastai-vos com o efémero.
Tendes a filosofia, a razão,
Contentai-vos com palavras de ilusão.
Tendes a poesia,
Mas bastai-vos com a heresia.
Tendes a melodia dos pássaros,
Mas preferis o burburinho das cidades.
Tendes a beleza da música e o canto das baleias,
Mas escolheis o rumorejar das alcateias.
Tendes a excelência da pintura,
Mas iludi-vos com traços de agrura.
Tendes a magnificência do sol e das estrelas,
Mas invejais luzes artificiais.

Sois vós que viveis em feiras e arraiais.
Que me criticais?
Criticais o homem ou as suas acções?
Que autoridade tendes vós
Que carregais no semblante invejas e maldições!?

Sim, tendes razão!
Sou crítico, irreverente, exigente,
Penso pela minha cabeça,
Não aceito qualquer sentença,
Eu guio-me pelo desassossego da curiosidade,
Pelo descontentamento da insatisfação.
Carrego a inquietação da humanidade,
Sou filho da imperfeição,
E tenho em mim o desejo da superação!

Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

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