quinta-feira, 22 de junho de 2017

DOCE NOVEMBRO

Novembro arrasta-se triste e chuvoso.
Há muito que as cores verdes deram lugar aos laranjas e aos castanhos.
As folhas começam a abandonar as árvores e a hospedar-se pelas ruas.
O céu está descontrolado e a chuva manifesta-se com vigor e capricho.
De vez em quando um relâmpago enamora-se de um trovão e desfilam de mãos dadas pelo céu.
O tempo pára.
As ruas despem-se de gente.
De longe em longe um chapéu-de-chuva cruza a calçada
tão rapidamente que parece invisível.
Tenta aninhar-se por baixo dos beirados mais generosos.
As ruas iluminam-se mais cedo
e os candeeiros confundem-se com lanternas surdas.
Os vidros colecionam humidade e embaciam-se lentamente.
As pessoas vegetam atrás das vidraças, rogando tréguas a São Pedro.
Adoro os fins de tarde chuvosos
e o nevoeiro,
e de permanecer abraçado a ti,
contemplando,
Demoradamente amando.

Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

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