sexta-feira, 30 de junho de 2017

ESCREVO A SOLIDÃO

Escrevo a solidão.
Emancipo-me de terrena existência,
Depois regresso para esta trágica confluência
Entre o sonhar e o viver.
Há uma aparente reconciliação
Entre mim e o mundo,
Neste retorno inconveniente, improcedente,
Já que vivo dentro do silêncio.
No meu silêncio há beleza e furor,
Na vida há holocausto e terror.
Na calma do meu silêncio há amor,
Na vida há desespero, aflição, horror.
Viver é triste desilusão,
O mundo é ódio e devastação.
A mim foi-me dado o tormento,
O mundo é choro e lamento.
O tormento do meu silêncio é filho da insatisfação,
Mas o mundo é filho da perdição,
Bebe na fonte da vingança e da depravação.
O mundo já não tem salvação.
A solidão é refúgio,
É remanso da inquietação.

Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

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