sábado, 24 de junho de 2017

OS FILHOS DO DESESPERO

Os filhos do desespero
Caminham por mares tumultuosos e terras desconhecidas.
Partem à descoberta de novas vidas
Navegando para além dos sonhos.
Deixam para trás a destruição,
Carregam consigo o fardo pesado das memórias
E a maldição.
Procuram no horizonte longínquo
Um pedaço de paz,
Uma existência feliz.
Acalentam esperanças despedaçadas
Em barreiras de arame farpado
E ilusões enclausuradas em tendas plantadas em lodaçais.

Há vidas humanas que valem menos do que nada,
Há vidas humanas por cumprir,
Derramadas pela indiferença do mundo,
O tormento é existir.
Há vidas humanas registadas no livro do esquecimento,
Talhadas no sofrimento.
Há vidas humanas,
Inumanas.

Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

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