domingo, 18 de junho de 2017

SONHO DE ABRIL

Da opressão andei cativo
Longos e tristes anos amordaçado
Abandonado
Esquecido
Destroçado
A razão valia nada
Contra tirania pesada.
Ditadura,
Tortura.

Um dia sonhei
Nas asas de uma leda madrugada primaveril
Caminhei ao lado da esperança
E pelas mãos de uma criança
Ergui um cravo florido de Abril.
Curta bonança,
Puro Ardil.

Liberdade encapotada
Num conto de Abril
Disfarçada
Tenebrosa
Febril

Madrugada de Abril
Expectativa destroçada
Senil.

Abril se enamorou
Pelo capital se deslumbrou
Rendeu-se à economia
Liberdade, ideia fugidia.

Liberdade da palavra, do pensamento
Ideais, leva-os o vento
Que importa o sofrimento?
O tormento?
O mundo avança
Desenvolvimento!…

Novas teorias nos foram dadas
Novas realidades declaradas
Endeusadas novas personagens
Deixaram-nos as miragens.

Temos da lembrança a madrugada
Temos a fantasia de Abril
Na verdade não temos nada
Só a utopia
Ideia vazia.

Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

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