terça-feira, 27 de junho de 2017

TEJO

Cruzo o Tejo,
A locomotiva no seu ritmo frenético,
Cadente, sobre a linha,
Entontece,
Adormece a gente
Que segue indiferente,
Prostrada, anestesiada
Sobre as cadeiras,
Enfeitiçada
Por conversa entediada
E máquinas ilusórias.

Contam-se enfadonhas histórias,
Debita-se conversa fastidiosa
De si mesmo enamorada,
Frenética,
Compulsiva,
Absurda.

Cruzamos a ponte,
O Tejo ao fundo,
Imponente,
Estrela maior entre o céu e o horizonte
E, nem por um segundo,
É convenientemente admirado.
Já ninguém mergulha os olhos na corrente
Nem contempla o espelho d’água,
Já ninguém cavalga a brisa
E desliza
No refluxo das marés.

O Tejo prossegue o seu doce pulsar,
Beijando as margens,
Sedutor,
Pronto para despertar os sentidos,
Para arrepiar a pele,
Para regalar os olhos,
Para extasiar.

Simplesmente contemplar!

Calai-vos ó gente outrora ousada,
É preferível estar calado se o falar é nada!
E contemplai,
Que até na cadência dos carris há melodia
E no silêncio, sabedoria!

Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

Sem comentários:

Enviar um comentário