domingo, 29 de outubro de 2017

MUDANÇA

Ah, como seria bom se os homens mudassem
com a mesma facilidade com que se muda a hora
e a hora da mudança fosse já amanhã!...
Quantas almas serão precisas para acalmar o sem-fim da avidez?
Quantos pássaros definharão no céu derramando-se no infinito?
Quantas nuvens morrerão em agonia?
Quantas mães verão secar a vida dentro de si?
Quantas fontes serão estranguladas na passagem?
Quantos pais morrerão na travessia?
Quantos filhos nunca serão Homens?
Quantos Homens tentarão a mudança?
Quantos Homens a quererão?
Quantos?

Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

O OUTRO CORO DOS TRIBUNAIS

No tribunal nunca se diz a verdade,
Mente-se.
Mente-se com as palavras, com os olhos,
Com os gestos e com as intenções.
No tribunal não se diz a verdade,
Bastam ideias, incertezas, imprecisões.
No tribunal dos homens
Reina a devassidão
Reina o impuro, o ferrabrás e o aldrabão.
No tribunal, o mofo e a podridão
Não são imprevistos,
São!...
No tribunal onde a ética devia ser rainha
Reina o ranço, o mofo, o bafio,
A certeza do nada, o vazio!

Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

sábado, 21 de outubro de 2017

NAS ASAS DO SONHO

Quem me dera poder voar
Sulcar os ventos nas asas de um dragão
Navegar dentro dos sonhos
Ir para além da ilusão
Acreditar no mundo
Beijar a Terra toda
Abraçar a esperança
Ser eternamente criança.

Fernando Alagoa © todos os direitos reservados