domingo, 4 de novembro de 2018

A MORTE DO ANJO

O Anjo morreu!

Morreu o Anjo
E com o Anjo morreu cada um de nós.
O Anjo morreu de fome e de hipocrisia,
Num mundo desigual, em que a pobreza não tem voz,
Estilhaçado por culpa alheia, e, aleivosia.

O Anjo morreu!
Mas a fome que o Anjo despedaçou,
Erigiu canhões,
Edificou balas,
Alimentou vilões,
Construiu obuses, granadas
E fortunas aladas.  

O Anjo morreu!
Privaram-nos do seu sorriso, das suas palavras,
Das suas traquinices,
Do seu olhar,
E que importa uma gota perdida
Na imensidão do mar!?

O Anjo morreu,
Mas não se inquietem,
Existem mais Anjos para morrer.
Proliferam
Infectos,
Abjectos
Distantes,
Discretos.

Os Anjos da luz perdem-se constantemente,
À mercê das hienas
E dos lobos esfaimados,
Abandonados à sua sorte.
Um dia, os canalhas hão-de prestar contas
Aos Anjos da morte!...

Poema em homenagem a Amal Hussein, uma menina de 7 anos vítima da guerra do Iémen, assim como, a todos os anjos que a guerra levou.

Fernando Alagoa © todos os direitos reservados

terça-feira, 1 de maio de 2018

QUE OS MEUS OLHOS NUNCA TE PERCAM

Que os meus olhos nunca te percam
E que os teus olhos sempre procurem os meus olhos
Que as minhas palavras sempre te encontrem
E que as tuas palavras nunca me esqueçam
Que a minha sede por ti nunca se esgote
E que em mim sacies a tua sede
Que a tua existência preencha o meu vazio
E que o vazio se encha de ti
Onde tu não estás que eu te encontre
E que sempre te encontre em mim
Que os teus lábios atendam as minhas preces
E que os teus abraços sejam o meu refúgio
Que o palpitar do teu peito
Seja o pulsar da minha existência
E que me seja proibido existir sem te amar
Que amar-te seja eterna sedução
E essa paixão o alimento que me sustém
Que em mim residas
E que residir em ti seja a derradeira perdição

Fernando Alagoa © todos os direitos reservados